[Re]identificação da idade a partir da memória e paisagem: Desenho de Patrocínio Paulista
Beatriz .JPG.jpg

Beatriz Goulart

ORITENTADOR (A)

ANO

Dra. Cláudia dos Reis e Cunha

2017

O sentido de identificação relaciona-se claramente ao de reconhecimento, que pode ser “conhecer novamente alguma coisa”, ou mesmo “distingui-la”. Tratando-se do espaço, seja ele natural ou construído, para garantir seu reconhecimento, é necessário que se tenha unidade em suas características. Essas, além da paisagem que se observa, dependem do observador e agente no espaço, tanto pelas suas ações contemporâneas quanto pela sua memória. Se o agente não percebe suas ações na paisagem ou mesmo não consegue valorizá-la, o sentido de identificar-se com o ambiente se perde aos poucos, a tal ponto que a memória também se perde e passa a ser somente um relato. Diferentemente da memória falada, é possível tê-la como documento, expresso nesse caso como um desenho. A cidade é desenhada pela arquitetura que conta a sua história, tanto pela sua origem, sua economia, seu gosto estético, pelo processo político, religioso, ou simplesmente pela falta de tudo isso. Quando há uma desvalorização desse desenho em busca de outras questões que não sejam a identidade, rabiscando-o ou apagando-o, a unidade se perde e passa a ser mais um desenho irreconhecível. É claro que esse é um processo em que as descaracterizações se acumulam a longo prazo. Muito disso ocorreu na cidade analisada, Patrocínio Paulista, pelo desenho simples, de arquitetura menor e tradicional, pouco valorizado por sua falta de excepcionalidade, assim como em muitas outras cidades brasileiras, mas que é capaz de identificar a forma em que ela se originou, e, consequentemente, sua memória. O objetivo desse trabalho é trazer a memória como documento, a partir da memória falada dos moradores e de suas recordações fotográficas, como uma interpretação. A metodologia utilizada para isso, pela falta de arquivos públicos, passou a ser visitar e contar com a colaboração da população que reside há mais tempo no entorno da Praça Principal (recorte de estudo), que poderia contar muito sobre como era a dinâmica do local, e ter registros de alguns elementos arquitetônicos ao longo do tempo. A partir dessa compilação de instrumentos de desenho, o trabalho tem como intuito abordar maneiras de retratar a história a partir do que foi contado pelos próprios agentes, de forma que a memória seja retratada também na arquitetura, a partir de propostas projetuais, de unidade e de entorno, pautadas em um ambiente do presente que considera o passado. Dessa maneira, não busca voltar ao original, nem mesmo garantir uma rigidez ao local que exige mudanças de acordo com as necessidades da população, mas, sim, garantir que a sociedade conheça de novo o seu espaço e se identifique com ele. Vinculado à essa busca por um desenho atento às atividades contemporâneas em congruência com a valorização da memória, parte-se na segunda fase do trabalho, para uma discussão mais abrangente do papel do próprio arquiteto em relação à estrutura da cidade, como atuante no desenvolvimento e no desenho urbano, a partir da proposição de diretrizes para a gestão do local e de análises projetuais coerentes.

GALERIA DO PROJETO

logo_faued_sem_fundo.png
logo-ufu.png