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Comuna
Noam Alves Martins Marson

Noam Alves Martins Marson

Orientação:

Patrícia Pimenta

2009/2

tcc

Em todas as épocas da humanidade os espaços da exclusão permanecem como o lugar da dor. Não só a física ou patológica, mas, principalmente, da dor humana em lidar com o diferente. Os desviantes, de qualquer natureza, mas principalmente aqueles que rompem com as formatações tradicionais dos comportamentos humanos não podem mais ser considerados anomalias sociais. São, em mim, produtos da inconformação e da inaceitação natural às regras, do modo de vida imposto pelos sistemas políticos e sociais, e mais ainda, são as sementes da transformação, que operam as necessárias modificações no tempo e no espaço. Mesmo que sejam indivíduos do contraste, justo é que lance meu olhar acolhedor, não no sentido filantrópico do termo, mas sim, essencialmente arquitetônico, cuja função é pensar qual será o espaço que vão existir, qual lugar os acolherá. A idéia primitiva do abrigo persegue minhas divagações íntimas, e, dia após dia, corro ao encalço da intenção primeira que animou os seres para procurarem um lugar para viver, particularmente, o lugar do diferente, que para mim, é um intrigante paradoxo da evolução; e como o anseio por equilíbrio seja instinto também primitivo, talvez só através da imersão, em um mergulho profundo, na ciência que organiza os espaços, eu possa organizar o espaço de mim mesmo.
Por isso, este trabalho final de graduação não finaliza nada, mesmo porque filosoficamente o fim não existe. Sem a intenção de ser demasiado extenso, ofereço a você leitor, o que chamei de “SEGUNDOS CADERNOS” – um singular manuscrito arquitetônico do meu pensamento plural. Nele está a linha viva que nasceu de todas as letras aqui redigidas com “tintas” da emoção. Neste caderno materializo todo o conteúdo de “sentimentos arquitetônicos” que estas palavras não poderiam abarcar, palavras que já se alongaram demais na monografia. Convido-o a experimentar seu olhar, a criar inesperados encontros com uma memória esquecida ou acionar sua imaginação ao se projetar, em todos os sentidos, neste lugar comum que já estou a gerar em sua intimidade incomum. Em cada folha está a sucessão e a construção do meu olhar, e folheando-o, construa o seu também. (sim, as folhas transparêntes permitem interação com as imagens)
Embora com ele eu feche um longo ciclo de “ontens”, já saudoso, em verdade esta brochura marca o início de uma etapa nova, quando, antevendo um porvir generoso, quem sabe, um Era de solidariedade e relação cooperativa, deixo-o, a seu total dispor, para que expresse o seu olhar, as suas perspectivas, interagindo naqueles que são os meus olhares, as minhas perspectivas, para que depois você me devolva ele e, por efeito, seus apontamentos cheguem até as minhas mãos. Correndo este risco, aliás, mesmo que julguem a sua expressão um rabisco, que importa, estaremos somando o seu e o meu traço na construção do nosso espaço comum. Isso é COMUNA!

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Noam Alves Martins Marson

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