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Projeto e Memória: A Praça da Estação e as Casas da Cia Mogiana em Aramina - S.P
Eloisa Marçola Pereira de Freitas

Eloisa Marçola Pereira de Freitas

Orientação:

Adriano Tomitão Canas

2013/1

tcc

Quando meu olhar se volta para Aramina é de forma íntima e particular. Desta forma, trabalho em cima de memórias, buscando entender o que é, quantas são e quais delas são realmente importantes para alcançar o meu objetivo: evocar arquitetonicamente a história e memória da cidade.
O que acontece em Aramina é uma perda de identidade com o local. A história contada apenas oralmente, sem referências concretas, sem preservação de algo material e palpável, se perde. Não pode ser apenas uma memória involuntária, pois essa memória não se dissocia do indivíduo, e morre junto com a morte das pessoas.
A arquitetura traz em si marcas de várias temporalidades e é referência histórica. A cidade é um organismo vivo, fruto de todas as histórias, de todos os tempos desde seu princípio, e a conservação de sua história não significa estagnar. Mas, assim como nos traz Walter Benjamin, a lembrança do passado me dita o presente, e “prepara o terreno” para o futuro. É identificador para um povo ter em seu presente vestígios do passado. Não proponho, nem quero uma cidade fantasma, que vive de melancolia e passado. Quero Aramina com um povo que se identifique com ela.
É baseada na leitura da cidade e nos estudos sobre memória que penso um projeto para Aramina. Situada no interior do estado de São Paulo, faz divisa com as cidades de Igarapava – de onde sua área é proveniente -, Buritizal, Ituverava, Miguelópolis e através do Rio Grande, com Uberaba MG, e distante de Uberlândia 150Km.
Escolho dois pontos: a praça, onde tudo está completamente diferente do que foi um dia e o outro, que não se encaixa no desenho urbano da cidade, apesar de estar dentro do perímetro urbano, as três casas que eram dos funcionários da estação ferroviária, sendo uma destas, a casa do feitor, a qual está completamente abandonada e possui maior representatividade arquitetônica do período.
A escolha por estes dois pontos se deu por uma justificativa comum: a estrada de ferro da Cia Mogiana. A Estação Aramina, que é a casa do trem, e o que provocou o surgimento da cidade, e as casas que eram o suporte para a dinâmica e funcionamento desta linha. A Estação já não existe mais, e as casas são o que restou de vinculo à ferrovia. Logo, os dois pontos estão intimamente relacionados historicamente e interligados pela linha de ferro já não existente.
É pela abstração que entendo o que foi a antiga Estação Aramina. Na praça busco uma releitura da estação e também das configurações anteriores de praça, tendo o cuidado de não reproduzir o prédio que abrigava a Estação, mas sim, a intenção de evocar esta memória com uma nova interpretação arquitetônica. Nas casas proponho um centro cultural no qual teremos, nas casas existentes, o arquivo público municipal e um novo pavilhão de atividades multifuncionais e culturais.
Os projetos se interligam tanto em memória quanto em significância para a cidade. Ambos buscam reforçar a importância do passado como forma concreta, que instiga o conhecer a história.
Projetar para Aramina é, sem dúvida um desafio grande, uma vez que há demasiado afeto e identificação com o lugar.

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Eloisa Marçola Pereira de Freitas

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