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Resistores Urbanos: Itinerários, Territórios E Deslocamentos
Dalton Arthur de Castro

Dalton Arthur de Castro

Orientação:

Adriano Canas

2010/1

tcc

Antes mesmo de qualquer projeto formal de arquitetura e/ ou urbanismo, constitui essa proposta uma profunda reflexão/crítica sobre a cidade informal e de seus diversos territórios que carregam consigo uma infinidade de símbolos e códigos em que se encontram as dobraduras de um grande labirinto da cidade contemporânea em seqüência do eventual e de seus agentes essencialmente temporais, aqui chamados de “Resistores Urbanos”.
Resistores que (como no conceito da física elétrica) dentro de um circuito entendido como cidade, possuem a função de equilibrar toda a corrente de um sistema, transformando a energia elétrica (de seus fluxos) em uma energia térmica (humana), que nem sempre se torna desejável à vida urbana, uma vez que esse calor, se em grande quantidade no circuito, são propensos a danificar todo o sistema, OU NÃO, como em certos casos como o chuveiro, onde esse mesmo calor produzido pelo resistor é fonte de alimentação primordial.
Essa se torna a proposta desse trabalho: o reaproveitamento de todo esse calor indesejável a fim de se convertê-lo de volta ao circuito como fonte útil à dinâmica da cidade. Para tal feito, uma “desarquitetura descompromissada” de andaimes e equipamentos de apoio que se dilui por diversos territórios e seis edifícios abandonados da área central de Uberlândia que, em conjunto, representam parte de uma proposta imaginada como uma possível rede urbana distribuída por todos os territórios em que os resistores urbanos circulam, convocando certa idéia de “unidade virótica” que, por contaminação, possam se proliferarem pela cidade por meio de ocupações “parasitárias”, se apropriando desses espaços amorfos existentes até o momento em que lhes convém ou mesmo quando “políticas-antibióticas” tratem de os expulsarem de lá, mas fazendo com que aconteça somente uma mudança de endereço para outra dessa mesma estrutura e assim sucessivamente.
Desse modo, se torna esses edifícios verdadeiros “amplificadores” de circuitos abertos constituídos da sobreposição de diversas atividades, formais e informais (sobreposição essa a tônica da cidade) que podem ser acessados por qualquer indivíduo, a qualquer momento, não como uma forma de institucionalizar esses espaços abandonados, acabar o inacabado ou recuperar áreas degradadas, mas sim o de assumir a sub-utilização muitas vezes já recorrente dessas áreas e assim potencializá-las por diversos programas de apoio a esses grupos de resistores na forma de edifícios multiusos capazes de tratar o velho conhecido “lixo-humano” sobre o viés da sustentabilidade. Sustentabilidade humana.
Contudo, há o reconhecimento de um sonho que já acordou enterrado e sendo assim, não acredita-se também que aqui esteja a superação de aspectos excludentes e regressivos que marcam a vida e o funcionamento urbano ou tampouco a pieguice da denúncia, do já denunciado. Talvez seja esse trabalho apenas um tempo de abertura, derivas, experimentações e agenciamentos inesperados e ocasionais de fluxos, descodificações e desterritorializações. Linhas que se entrelaçam e abrem buracos no tecido urbano estratificado por onde possa fazer passar novas condições e potencialidades da vida urbana.

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Dalton Arthur de Castro

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